Nas folhas, as marcas do tempo,
Nas mãos, as das lidas da vida.
As folhas e os dias castanhos
Juntos no meio do campo.
Debaixo do castanheiro
Ao rebusco das castanhas
É outono na estação
E quase inverno na vida.
Tons tristes dos dias curtos
Luz que finda, o fim do dia,
Mas até nos tons cinzentos
A vida se expande e recria
Castanhas assadas, saborosas,
Doces frutos, que alegria.
Lareira acesa, casa quentinha,
E a roda da família na cozinha.
As risadas da netinha
Chamando de minha avó
Coram o rosto feliz
Que retribui num sorriso.
Fitando nas chamas do lume
As castanhas a assar
Lembra da primavera
E o frio logo, logo, vai passar.