25/10/2013

Lavrar a alma.

 

Lavrar a alma com relhas de aço

Vi um lavrador  lavrar a alma com palavras fortes como o aço, lamentando a vida, as estações, a sorte. Vi que lhe rompiam o peito e rasgavam as fibras do coração, as ideias de vencer a sina de quebrar o fado, a realidade de comer o pão com o suor do rosto e a gana de matar a fome que lhe toma os dias.

Pensamentos que iam e voltavam como sulcos de uma lavra continua do chão do ser onde teimava em semear os sonhos de dias melhores de terras férteis fartura e prosperidade.

Ao rasgar a terra, rasgava a alma, virava a vida, eterna lavoura.

16/10/2013

Perguntas…

 

Capela da Sra. da Vila Velha em Castelo Branco Mogadouro

Ao fundo a capela da Vila Velha, na frente os choupos e freixos da ribeira, no meio os pensamentos e as visões de outros tempos doutras emoções. E o outono a moldar os sentimentos desta paisagem, tão querida tão distante.

Melancolia de tantas saudades de tantos rostos, momentos vividos, pessoas.

Tudo neste contexto, é vida. A minha a de meus pais, irmãos e de todos que ali nascemos, que neste cenário tomou forma e dele partiu para o mundo e para outras dimensões.

Quem vem a vila velha leva no peito a presença de tudo isto.

E por isso é bela. Por isto é impar e sem igual. Como a padroeira, que a todos recheia a vida com a fé. A intimidade deste lugar exige os olhos abertos para o divino, para o não material.

Sempre me questionei porque a capela fica de costas para o caminho que sai da aldeia e termina nela? Para onde aponta a porta? Que sentido tem esta escolha da orientação oposta ao caminho? Há sentido nesta posição?

28/09/2013

Papoulas



Campos de trigo
verdes de espigas,
Vermelhos de descobertas
Pão e sonhos,
Trabalhos e esperanças.

No mesmo campo,
O lavrador semeou os grãos,
Sustento do corpo.
E o Criador derramou as sementes,
Alento da alma.

 
 

12/05/2013

Cada vez mais

Cada vez mais,
Cada vez melhor.

Assim, na luz do dia.
Revejo o sonho
Que me mantinha
Preso a ti.

Minha paixão
Fez de mim teu servo
Em minha ilusão
Fulgor dos olhos
Relampejo da alma
O amor que te tenho
Dá-me vida...

Nasce a cada dia
O fruto de nosso amor
Nas palavras que dizemos
No vinho dos teus beijos
Na doçura de teus lábios

Amor, amor, amor,

Amor que um dia
Tão gigante
Imenso e profundo
Nascido de teu olhar
Crescido no peito.
Arrebatou minha vida.




10/05/2013

Portas abertas


Casas singelas, de portas abertas
Ruas que levam para perto,
Janelas escancaradas, livres.
Braços abertos.

Tudo aqui esta assim,
Sempre a espera.
Dos que chegam
Dos que partiram
Dos que ficaram.
Para receber
Para abraçar.



07/04/2013

Vila Velha

Ha muito tempo por ordem Del Rei, Dom Dinis, três frades da ordem Beneditino, chegaram a estes lados para pastorear o rebanho das almas dos cristãos que ocupavam as terras reconquistada dos sarracenos.

Os cavaleiros templarios da ordem de Cristo, lutaram durante anos para livrar estes vales dos invasores. Rios de sangue e batalhas sem fim fizeram ecoar nas encostas os gritos dos guerreiros e do aço das espadas. Mas enfim a paz reinou e as lutas mudaram para outras localidades ao sul do rio Douro. Enfim a população retomou as atividades de pastoreio e agricultura e fez-se necessário instruir os habitantes técnicas de cultivo que garantissem o sustento e a fixação para repovoar e garantir a continuidade do reino.

Os Beneditinos foram escolhidos pelo monarca pela característica mais pratica, eram frades que oravam e trabalhavam. No entorno de seus conventos as populações, cresciam e prosperavam graças aos ensinamentos dos frades, nas técnicas de cultivo e manuseio das terras, sementes, e criação de gado.

Um frade e dois noviços do convento foram enviados pelo abade do Priorado de Nossa Senhora da Assunção de Lamego para iniciar a paroquia de Santa Maria.

A primeira atividade foi erguer a capela que depois de pronta agregaria os fieis e aproximaria as almas de seus guias espirituais facilitando o trabalho de evangelização e aprendizado das lidas dos campos e rebanhos.

Vieram frades e gentes de varias paroquias e da sede do convento. Um grande mutirão que reuniu, aldeões, artesãos e religiosos de todo o concelho. Em duas semanas levantaram as paredes da nave principal e da sacristia. Depois em mais uma semana cortaram as toras e madeiras do telhado que cobriram com colmo de giestas.

Os alicerces da ermida foram construídos sobre as ruínas de uma antiga mesquita e mantiveram o mesmo traçado da construção anterior que por sua vez também fora construída no mesmo lugar onde os antigos celtas do castro que ali existia, tinham seu local de cultos e sacrifícios.

E assim começaram os trabalhos...



03/04/2013

Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)

Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.

Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...

Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?

Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
- Entre!

A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.

A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.

Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.

Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.

Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.

A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.

Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:

- Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.

Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.

Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.

Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.

O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.

Miguel Torga.


31/03/2013

Feliz Pascoa

Amêndoas e folar.
Ruas de alecrim,
Papoulas e malmequer,
enfeitam o chão.
Vai sair a procissão,
Do adro pelo eiró,
desce pelo vale,
sobe ate a praça
para chegar na estrada.

E páscoa, aleluia,

Os campos de trigo
Verdejam floridos,
As vinhas rebentam
As amendoeiras
Floresceram sem geada.

Cantamos, aleluia.

As famílias reunidas
Vieram pelo folar.

E aleluia, aleluia
Vamos cantar.

30/03/2013

Papoulas


Campos de trigo
verdes de espigas,
Vermelhos de descobertas
Pão e sonhos,
Trabalhos e esperanças.

No mesmo campo,
O lavrador semeou os grãos,
Sustento do corpo.
E o Criador derramou as sementes,
Alento da alma.


28/02/2013

Minha aldeia

Tudo é tão lindo visto daqui
As ruas, casas, telhados, muros
Homens, mulheres, animais.

Aquarela viva, cenario, presépio.
Tudo tem seu lugar e proposito
E parece tao certo, eterno e presente.
So os que sabem disso,
Tem nos olhos o encanto de ver, que
A vista mais bela é a da minha aldeia,

Pois o mundo não é tão grande nem maior que a minha aldeia,
Porque não cabe dentro nem passa por ela.

O Mundo tem grandes cidades
E se revive, existe, nelas somente.
Como tantos que buscam em tudo o que lá não está,
Pois que a memória das gentes é vaga.

Minha aldeia esta ali onde sempre esteve,
Poucos sabem disso,
E sequer me importo com isso.

O mundo ficou pequeno
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem onde estão
E para onde vão
E donde veem
E por isso ele pertence a tanta gente,

É mais livre e maior o povo da minha aldeia.
Chegar na minha aldeia é sair do mundo,
Para entrar em outro mundo.
Para alem do qual há outros lugares.

Ninguém nunca pensou no que lá há antes.
E depois que importância isso tem?
Minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está nela, está apenas nela.

No mundo ninguém sabe nunca onde esta.
E vive com pressa de ir, de chegar, de partir.

Aqui vive-se um dia depois do outro.
E viver e estar são a mesma coisa.

No fim ou no começo.
Tudo é.




30/07/2012

Migalhas

Por: Albano Solheira

 

Migalhas

“Crônicas de tempos idos”

Capitulo I

A existência toma as cores do tempo. Cada estação da vida tem seu modo de ser e de estar nos dias. Há uma época em especial em que o corpo nega as forças ao pensamento e mesmo que a vontade teime em querer fazer algum movimento, ele tem que ser programado e posto em pratica, de forma conjugada, devagar. Negam-se os músculos, negam-se as pernas e até a mente começa a teimar por conta própria não querer ir a lugar algum.

Antonio vivia assim. Sem pressa nem desassossego, no ritmo de seu corpo cansado, atrofiado pelos trabalhos. Foram tantos invernos, que há muito perdera a conta dos anos. Mas que importância isso tem, se a vida é um dia de cada vez, não há porque contar ou marcar algo que não acrescenta só subtrai. Vivia, isso bastava…

Esquecera quem era ha muito. Foi um criado por escolha propria. Ao meio da vida, trocou o ser, por cama e comida na casa dos outros. Preço alto, muito caro e que só agora ao fim dos dias, reconhecia o erro de trocar trabalho por farelos e vianda. Entregou sem valor a juventude e a meia idade aos patrões. Agora sem a força dos braços para o serviço, era um peso, um invalido. Não valia a comida que comia. Esqueceram rapidamente dos anos de didicação, de nada valeram. Juntaram os trapos o colchao de palha onde dormia e puseram tudo a porta do curral. Depois o filho do patrão mandou outro criado para lhe dar a noticia que ele tinha que sair dali, o patrão não tinha mais serviço.

Com uns vinte e poucos saiu para correr mundo ao terminar o serviço militar. O exercito mostrou horizontes maiores que os da aldeia onde nasceu e de onde nunca tinha saido até ser recrutado. Jurou não voltar. Mas a vida tem seus proprios caminhos.

Quando deu a baixa, ficou na cidade grande, mas logo saiu para terras menores. Era estranha a lida nas fabricas. Nao se imaginava trancado o dia inteiro sem ver o céu. Não exitou, e saiu sem destino. Trocava o trabalho por alguns vintens para vinho e comida. E assim começou a andar, por onde lhe davam trabalho e função rodou terras e lugares. Foi pastor, guardou vacas, ajudou nas segadas, das colheitas, nas vindimas, na azeitona, mas nao se fixou a nenhum lugar, como se tivesse uma força que o fazia ir alem sem nunca se deter ou criar raizes.

Ninguém sabia de onde viera e nem mesmo ele lembrava ao certo porque ali chegara também. Um dia cansado de andar sem eira nem beira, pelos caminhos e terras, chegou à porta do um curral que fica a entrada do povoado e sem que ninguém nem nada lhe dissesse o motivo, parou. Olhou a cancela da entrada e resolveu ficar ali para oferecer o trabalho em troca de cama e comida.

Imóvel, na porta do curral, como um cão do gado encolhido ao sol a espera do pastor até a hora de soltar as ovelhas, ficou a espera que o dono aparecesse . Nem mesmo a barriga vazia e os pés doidos e congelados o fizeram sair do dali. Não tardou, e os criados chegaram. Olhos dormentes, encolhidos pelo frio da geada apressados para atender o mugido das vacas e o grunhido dos porcos que cientes do horário da lida resmungavam insatisfeitos pela ração de desjejum. Fizera um juramento de nao voltar, e agora sem saber o porquê nem o motivo, ali estava, no mesmo lugar de onde saira anos atras. Ao vê-lo o patrão sorriu, e sem muitas palavras deu ordens para aceita-lo ao serviço.

Os anos passaram, primeiro a forca da juventude seguida da experiência da meia idade e por fim, o outono da vida. Não esperava nada em troca alem de um teto mas ate isso lhe negaram nos derradeiros dias. Um vazio tomou conta do peito e da mente, quando finalmente a realidade decantava diante dos olhos turvos.

Com dificuldade saiu com a trouxa as costas. Mudou todos seus pertences para um palheiro perto do semitério que estava vazio sem gado nem palha. Em um dos cantos fez uma mureta com cantaria para servir de murilho pra lareira. Almas caridosas deram-lhe uma panela para cozer as batatas. E  assim sem ter onde cair morto passou a viver os dias na solidão da caridade alheia.

No rigor do inverno uma geada mais forte congelou o telhado e a alma do Antonio, partiu enfim.

Albano Solheira

17/02/2012

Volte Sempre...


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Volte sempre,


Curioso as placas dizerem isto.

Volte sempre…

Pra elas que ficam ali paradas, é fácil voltar, dali nunca saíram.

Eu acredito, que quem as faz não pensa nisso.

Menos ainda quem as manda fazer.

Volte sempre...

Paro pra pensar no que é voltar sempre,

E, no que as placas dizem a quem está só de passagem.

Voltar e sempre, são contraditórios.

Vivemos.



Albano Solheira

22/10/2011

Entre fragas

 

Nasci como nascem os cabeços

Parido de uma fraga com alma de pedra.

Vivo a vida errante como o vento

Solto no mundo sem raizes.

A cada dia uma vontade nova

Um novo destino um nova gana.ue

Mas um ser eterno

 

 

08/04/2011

Um sorriso…

Autor: Luís Pardal 
Um sorriso…
Uma surpresa…
Tem coisa mais simples que lembrar de um momento em nossas vidas em que fomos felizes de verdade? Ao lembrar desses momentos como que transportamos para os dias de hoje a mesma alegria e felicidade que sentimos antes. Tudo volta… e se torna presente e com a mesma intensidade!
Esta semana, bem no meio do meu dia, entre um compromisso e outro na correria do trabalho, eis que do nada, assim sem esperar, nem pedir licença, entra pelo carro, uma música que ouvi vezes sem conta anos atrás. Fez-me sorrir e cantar junto com vontade e alegria.
Começou a tocar um antigo sucesso dos A-ha, porem em uma versão diferente da original. Voltei no tempo para os meus 16 anos, e lembrei dos verões que passei em Castelo Branco. Lembrei dos amigos, do tempo que ficávamos de volta da Casa Grande nas noites de verão a tocar viola e a sonhar.
Os bons momentos e os bons amigos são para sempre! A vida levou, cada um de nós para longe e nos separou na distância dos anos e da geografia. Ao ouvir esta musica, lembrei dos rostos de cada um e fiquei feliz por termos vivido tantos bons momentos juntos. Tenho certeza que onde quer que cada um esteja, lembrará com alegria daqueles tempos.
Aos amigos, para lembrar!
A versão atual
A versão original dos anos 80

28/11/2010

Pastoreio

Autor: Albano Solheira

pastor

 

Sarrão de borrego a pender das costas,

Pastor de ovelhas e mil pensamentos.

Pastoreias rebanho desces as encostas

A Guardar do mundo os teus sentimentos.

 

As rugas do sol, vincam no teu rosto,

Sinais dos trabalhos passados na vida,

Fadiga aparente, corpo exausto na lida

Canseiras da vida que exige descanso

 

Olhos sentinelas sempre acostumados,

Lêem no poente o final da que espreita.

O dia que termina, atordoados sentidos,

Caminho rebanho, e a sorte tão estreita.

 

Um dia termia depois vem logo outro igual

Vida que vagueia num pasto sem fim.

Existência e rotina como o teu rebanho

Semelhante a do pastor que te deu a vida.

18/09/2010

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15/09/2010

Paisagem

 

Dias virão e eu vou dizer

Não passei por aqui antes de hoje.

 

 

Neste sonho que permaneceu vivo

 

E que se apagou em cada instante.

 

O tempo fez partir as gentes que amei

 

 

Pensava que voltar as traria de volta,

 

Mas não mais as vi nem encontrei.

 

Resolvi também não retornar.

 

 

Apenas olho sem sair e voltar

 

O tempo distancia do quadro

 

Viajar do coração, paisagem.

Coisas de ti

Albano Solheira

 

Criança

Quisera saber o que sei para te contar

Quisera ter o que tenho para te dar

Quisera poder ser

Quisera poder estar

Para te abraçar

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01/06/2010

Espelho frontal

Autor: Albano Solheira
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Crise...
Estou em crise, disse para mim mesmo
E fiquei a olhar o espelho tentando me reconhecer no reflexo.
Quem eu sou não é quem me aparece,
Tenho menos anos, sou mais jovem…

Olhei de novo de vários ângulos,
Fiz caretas e trejeitos.
Parei, ri, até que me cansei.,
Quase acreditei, que o menino
Que pensava que vivia,
Por detrás, de meu rosto, me sorria.

Mas não estava lá, nem mais existia.
Esse que agora me olha, sou eu, apenas eu,
Ali, cara a cara, olho no olho,
Sozinho a encarar quem eu sou,
Neste espelho frontal e profundo.
Um espasmo e susto gelou a garganta.

Deixo sair da expressão, um sorriso trocista,
Com desdém, como quem quer ignorar.
E limpo o espelho para me ver melhor.
Realidade, sou eu sim, eu me conheço.
O menino cresceu, conclui então,
Hoje sou este homem , ali na minha frente.

Menino os anos Passaram, convivemos juntos,
Hoje finalmente, ao me olhar no espelho
Vejo a mim mesmo, com gosto e verdade.

Seguro, digo Satisfeito: o tempo voou,
Eu fui quem eu sou, e é bem melhor assim.

Albano Solheira

02/05/2010

Outono

Autor: Albano Solheira
 Imagem do blog de Guilherme Sanches . Clique no link para ver artigo original

Nas folhas, as marcas do tempo,
Nas mãos, as das lidas da vida.
As folhas e os dias castanhos
Juntos no meio do campo.

Debaixo do castanheiro
Ao rebusco das castanhas
É outono na estação
E quase inverno na vida.

Tons tristes dos dias curtos
Luz que finda, o fim do dia,
Mas até nos tons cinzentos
A vida se expande e recria

Castanhas assadas, saborosas,
Doces frutos, que alegria.
Lareira acesa, casa quentinha,
E a roda da família na cozinha.

As risadas da netinha
Chamando de minha avó
Coram o rosto feliz
Que retribui num sorriso.

Fitando nas chamas do lume
As castanhas a assar
Lembra da primavera
E o frio logo, logo, vai passar.

01/05/2010

Volte sempre…

Autor: Albano Solheiraimage Volte sempre,
Curioso as placas dizerem isto.
Volte sempre…
Pra elas que ficam ali paradas, é fácil voltar, dali nunca saíram.
Eu acredito, que quem as faz não pensa nisso.
Menos ainda quem as manda fazer.
Volte sempre...
Paro pra pensar no que é voltar sempre,
E, no que as placas dizem a quem está só de passagem.
Voltar e sempre, são contraditórios.
Vivemos.

Albano Solheira

31/03/2010

A confissão

 
Hoje ao ouvir o toque da matraca,
Pensei em todos os meus pecados.
Padre, confesso, minha carne é fraca
Pintei e bordei por bons bocados.

Andei à tarde aos ninhos no canilhão
Joguei tiro-liro, bola, fito e ao pião
Aprontei ao botar algumas cacadas,
E sim, foram milhares de presepadas.

Foram altas artes, não nego, nem minto.
Na escola fui eu que espiei as raparigas
E que puxei o cabelo das mais crescidas
Sei, sou quase homem eu não desminto.

Fugi e esqueci minhas vacas no lameiro
Precisava ir com meus amigos a brincar
Sabe, não quero perder por ali o ano inteiro
Tenho que jogar a bola, ir, viver e aprontar.

Confesso tudo, mas daí-me logo a penitencia.
Já é tempo de correr e voltar pras brincadeiras!
Devo rezar um pai nosso, em cada dia? Paciência.
Tenho o Céu garantido quanto brinco nas eiras.

Albano Solheira

21/03/2010

A primavera que chega…

Fotos: Carla NunesFoto de Castelo Branco com flores de amendoeiraCastelo Branco enfeitada de flores de amendoeira
Quadro com fotos de amendoeiras em flor em Castelo Branco Mogadouro

19/02/2010

Ribeira das pombinhas

Lameiros na ribeira das pombinhas.  Foto: Luis Pardal
Ao andar por estes lameiros,
Encontro sentado perto da ribeira,
Um menino que brinca de sonhar.

Tem os pés dentro da água,
As mãos enfiadas na areia
Rosto enlevado a olhar o céu.

Fala sozinho num diálogo solto,
De aventuras, perigos, conquistas,
Planos mil para quando crescer.

Não me olha, nem se apercebe
Que cheguei e, fico a olhar,
Parado para ouvir o que diz.

Gesticula e faz desenhos no ar,
De batalhas, campanhas, vitórias,
Viagens, mares, navios piratas.

A coragem e a simplicidade
Fazem-se sorrir e participar
E sentar pra brincar também.

Os anos passam a idade não.

Albano Solheira

Fotos de Castelo Branco com neve

Fotos:  Carla Nunes
Para os que gostam de se encantar com Castelo Branco, a Carla Nunes, mandou uma coleténea de fotos que faz os olhos ficarem arregalados com tanta beleza e encanto.
Obrigado Carla!
Solar dos Pimenteis na neve
Escola Primária de Castelo Branco coberta de neve
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DSC02435 Casa grande com neve
Foto do trinangulo na entrada de Castelo Branco coberto de neve
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Mais fotos no portal de Castelo Banco
Siga o link:

10/01/2010

Mare Nostrum

Este mar que me encara nos olhos
Faz-me querer sair por ele na descoberta.

O vento, sopra, sussurra, grita
Rompe os ouvidos com palavras incertas
Notícias de outros rumos, marés abertas.

Navegante de areias a andar na  praia.
Quero antever o mar rasgado na quilha,
Imaginar os sulcos de espuma traçados
Deixados pra trás no finito do barco
Do ponto de partida ao ponto de chegada.

Fico a remoer idéias e possibilidades.
E a vontade de navegar enche-me as velas.

Caminho na areia em passos largos, profundos,
Como quem quer marcar com os pés o trajeto.
Rota segura, eu penso e, afundo os passos.
Para deixar as marcas que servirão na volta
Nesta trilha de mares navegados,
Mare nostrum.
E as ondas que chegam
Apagam tudo depois que passo
E voltam ao mar vezes sem fim.

Viro finalmente no fim da praia.
Quero rever a obra terminada,
Com o olhar de quem já alcançou o objetivo.
Demoro para entender,
Não sobraram as rotas que tracei,
As águas que naveguei, os momentos que vivi.
O mar apagou tudo, e o mundo por onde andei, 
Surgiu novo, como se fosse um desconhecido.

Corro enlouquecido atrás das ondas, grito e reclamo,
Culpo o mar, o céu, a areia, o infinito,
Todos cúmplices desta eterna roda maluca.
Estou furioso, mas respiro,
Sentado na areia, fico a olhar ondas a chegar
E aos poucos caio em mim.

A vida e o mar sempre diferentes
Mas isto é o bom de viver,
Um momento novo a cada instante.
Olho a areia e volto a navegar na praia em passos largos…

É ilusão a vida no pensar.
Viver é mergulhar, sentir, arriscar
Cair nas ondas…

Experimentar…

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27/07/2009

Amendoeiras em Flor

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Petalas percursoras da primavera
Voando ao vento em zumbidos mil,
Perfume de mel, aromas do céu,
Alvura sem par.
Caminhos floridos Outeiros e montes.
Vida e seiva em ebulição.
Renasce a terra nas flores que chegam,
no fim do inverno.
A terra está prenha, fecunda,
De frutos, azeite, vinho novo e pão.
Petalas sagradas da mãe natureza
com tanta beleza enfeitam então
os sonhos a mente a vida e a casa
mesa farta e colheita no fim do verão.

Albano Solheira
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