Ao andar por estes lameiros,
Encontro sentado perto da ribeira,
Um menino que brinca de sonhar.
Tem os pés dentro da água,
As mãos enfiadas na areia
Rosto enlevado a olhar o céu.
Fala sozinho num diálogo solto,
De aventuras, perigos, conquistas,
Planos mil para quando crescer.
Não me olha, nem se apercebe
Que cheguei e, fico a olhar,
Parado para ouvir o que diz.
Gesticula e faz desenhos no ar,
De batalhas, campanhas, vitórias,
Viagens, mares, navios piratas.
A coragem e a simplicidade
Fazem-se sorrir e participar
E sentar pra brincar também.
Os anos passam a idade não.
Albano Solheira